RISC, Práticas em negócios

Inteligência de mercado ou do cliente?

2016-01-21 13:35:39

Seria um eco dizer que janelas de oportunidades se abrem em tempos de crise. Considerando que produtos e serviços por definição existem para resolver problemas, estamos no momento certo, ou não? Quem melhor navega por esses caminhos estreitos que são os nichos de mercado? Os grandes talvez não muito, as pequenas e média empresas talvez tenham mais alavancagem pela flexibilidade de processos, quem sabe, ou os novos entrantes, por que não: o que teriam a perder?

O fato é que no momento econômico em que o país se encontra não podemos sentar e esperar a próxima notícia. Tal qual fazemos nas mudanças de estações, em que tiramos o casaco do armário e enfrentamos a ventania lá fora, assim devemos fazer com a forma de buscar negócios. Limites são úteis para nortear nossas ações e a falta deles, muitas vezes, nos deixa preguiçosos: é muito mais certeiro o motorista que estaciona o veículo na única vaga apertada que sobrou no estacionamento do shopping quando comparado ao errante que fica na dúvida, quando são tantas as opções disponíveis que leva o dobro do tempo para escolher onde parar. As vezes fica difícil saber o que fazer utilizando apenas um olhar interno, e uma ajuda externa pode tornar-se necessária - confira 10 dicas pra saber se sua empresa precisa de ajuda profissional nesse link.

Pois bem, aqueles dados apenas atualizados dos nossos estudos de mercado, vamos revisitá-los! Sejamos criativos (mais um eco, eu sei...) para lançar um olhar diferente à arena onde estamos competindo e identificar elementos que outrora irrelevantes possam trazer algum potencial a ser explorado. Pessoalmente fico mais confortável se em paralelo a isso lançarmos o mesmo olhar aos nossos clientes. Como está o nível de engajamento deles com a nossa organização? Quais desafios eles enfrentam ou virão a enfrentar nas organizações deles? E em suas vidas?

Costumo dizer que falar em Inteligência de Mercado / Competitiva sem falar em satisfação e expectativa do cliente é o mesmo que se preocupar com quem possa estar cortejando nosso parceiro ou parceira sem se preocupar com o que esse parceiro ou parceira espera de nós e qual seu grau de felicidade conosco. Vamos pensar no Uber em São Paulo, a reação dos taxistas para enfrentar esse concorrente. Legislação, tapetão, manifestações, agressões físicas... Só não haviam parado para pensar o que de fato atrai os consumidores para esse serviço alternativo. Méritos à prefeitura que legitimamente resolveu colocar o cliente no centro dessa questão e, a partir de agora, os taxistas da cidade de São Paulo serão obrigados a:

  • Usar traje social ou esporte fino para todos os motoristas e uso de terno e gravata ou smoking para táxis da categoria táxi luxo;
  • Manter a camisa abotoada, exceto o botão do colarinho, estar com o sapato limpo e engraxado, e o cinto afivelado. Também foram proibidas camisa esportiva ou com estampas, bermudas e jaquetas de times de futebol;
  • Evitar polêmicas ou situações que provoquem estresse no passageiro por causa de "paixões esportivas, convicções partidárias, fé e cultos religiosos";
  • Oferecer carregadores de energia elétrica para aparelhos eletrônicos, como celulares, tablets e notebooks, além de oferecer meios de pagamento eletrônicos (cartões de débito e crédito).
Inteligência Competitiva e Gestão de Relacionamento com o Cliente são dois pilares de extrema importância para continuar remando qualquer que seja a maré. O tesouro é o cliente e objetivo do jogo é chegar nele, mas com a proposta de valor vencedora, do contrário alguém chegará na sua frente.

Leticia Lago
Consultora



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