RISC, Práticas em negócios

Operações de Hedging: protegendo-se da instabilidade da moeda.

2015-04-07 09:50:22

A moeda americana vem se valorizando em relação às moedas de outros países, mas de forma mais significativa em relação ao Real (moeda brasileira), nos últimos tempos. O Dólar valorizou cerca de 40% e 65%, respectivamente, nos últimos 12 e 24 meses. Apesar desse fato contribuir ao crescimento das empresas exportadoras, isso prejudica tremendamente as companhias que substituíram os produtos e principalmente os componentes locais pelos importados, no vácuo da apreciação do Real em relação ao dólar.

Num mercado competitivo, é quase impossível repassar para os clientes, através dos preços dos produtos, essa alta nos custos, provocada pela desvalorização cambial. Como exemplo, se um produto fabricado no Brasil tem 50% de componente importado, a empresa teria que ter repassado nos preços, um aumento da ordem de 30% nos últimos dois anos, quase 3 vezes a inflação do período, medida pelo IPCA. Se a corporação não conseguiu repassar essa alta nos custos ou compensar através de aumentos sucessivos de produtividade, com certeza está sofrendo resultados financeiros negativos.

Para proteger-se da instabilidade da moeda, existem mecanismos de proteção, conhecidos como “Hedge cambial” ou operação de “Hedging”. O instrumento mais utilizado para a proteção cambial é o NDF – “Non-Delivable Forward”, mais conhecido no Brasil como contrato futuro. Através de uma instituição financeira, as empresas podem comprar e vender moedas numa data futura, utilizando os próximos contratos. No vencimento da operação, o acerto é feito através da diferença entre o valor da moeda negociada e estabelecida e, o preço da moeda estrangeira praticada pelo mercado, na data do vencimento.

Se a moeda funcional adotada por uma empresa multinacional for o Real, definida pela prática contábil do país de origem da empresa, então a mesma deve proteger-se a exposição em moeda estrangeira e executar o “Hedge”. Se a moeda funcional for o dólar, por exemplo, a empresa deve calcular a exposição em Real. O custo de um “Hedging” no mercado brasileiro não é nada barato e fica próximo de um CDI (taxa de juros praticada pelos bancos no mercado interbancário) acrescido de um “Spread”. Esse “Spread” varia muito, dependendo das incertezas econômicas e políticas do Brasil e do resto do mundo. Além desse custo, se a empresa não tiver um limite de crédito aprovado pelo banco, onde está realizando a operação de “Hedging”, então será obrigada a oferecer uma garantia bancária, como por exemplo, uma finança, para garantir a transação. No entanto, existem também mecanismos de “Hedge natural”, cujo objetivo é criar transações específicas para balancear o ativo e o passivo na moeda estrangeira ou brasileira, dependendo da moeda funcional, minimizando ao máximo os efeitos de uma valorização ou desvalorização cambial.

Caso sua empresa tenha interesse em conhecer melhor as transações de “Hedge” e principalmente “Hedge natural” e aprofundar-se nesse assunto, entre em contato com um dos consultores sêniors da RISC Negócios.



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