RISC, Práticas em negócios

Os estragos que causam a alta do dólar

2015-08-13 12:49:19

A crise política agravada pelos recentes resultados das investigações da Operação Lava Jato, o fato do governo estar tendo dificuldades para a aprovação pelo Congresso das medidas econômicas para o atingimento das metas do déficit primário, o recrudescimento dos níveis da inflação previstas para este ano, que está chegando próximo dos dois dígitos, o desempenho da economia brasileira, que deve fechar o ano próximo de 3% negativos, a desaceleração da economia chinesa e a melhoria gradual da economia dos Estados Unidos, que permitirá ao governo americano a tão esperada elevação das taxas de juros, aliada à diminuição dos índices de confiança dos empresários e da população brasileira em geral, são ingredientes que vêm provocando um fluxo negativo da moeda americana, fazendo com que a cotação do dólar americano atinja níveis recordes, desde aqueles vistos no período eleitoral que elegeu o presidente Lula. Dentre os países considerados emergentes, o Real foi a moeda que mais desvalorizou nos últimos tempos. O difícil é entender a inércia do Banco Central em deixar a escalada da moeda americana para os níveis atuais, tendo em vista um valor significativo de reservas cambiais disponíveis que poderiam ser utilizados neste momento e sabendo principalmente dos resultados maléficos que isso pode causar. Alta do dólar significa mais pressão sobre a inflação que começa a fugir dos controles do governo. Para combater a alta da inflação, o governo insiste em aumentar a taxa de juros, achando que com isso conseguirá atrair mais recursos especulativos para o país, melhorando o fluxo da moeda estrangeira, e também reduzir o nível da demanda. Isso é um equívoco, pois a inflação brasileira não é uma inflação de demanda, mas sim uma inflação de custos, provocada principalmente pelos aumentos dos preços da energia elétrica, dos derivados do petróleo e dos serviços públicos em geral, que foram represados ao longo do tempo, tendo em vista o processo da reeleição presidencial. Portanto, o governo está aplicando um remédio errado para um paciente que está sofrendo de um problema estrutural, causado pelo próprio governo atual. A taxa cambial mais elevada, sem dúvida, melhora o desempenho das exportações, mas os resultados somente começarão a aparecer no médio e longo prazo. Por outro lado, um dólar mais elevado tem impacto imediato nos preços dos componentes, das matérias-primas e dos produtos finais importados. A miopia dos profissionais que atuam no governo, causada pela falta de experiência no setor privado, não deixa enxergar que os produtos produzidos localmente têm índices significativos de componentes importados. Como as empresas não são entidades de caridade, acabam repassando esse aumento dos custos resultantes da alta do dólar nos preços dos produtos finais. Não há melhoria no índice de produtividade que compense essa alta nos custos. Como ocorre do lado das exportações, a substituição dos componentes importados por componentes locais não ocorre da noite para o dia, principalmente daqueles componentes que envolvem uma tecnologia de ponta e de mão de obra qualificada. O processo como um todo, desde a escolha de um fornecedor local até a efetiva produção, pode demorar meses ou até anos. A alta da taxa do dólar vem também tirando o sono dos dirigentes de empresas, principalmente das multinacionais, que gastam horas a fio num processo que não agrega nenhum valor, explicando para as matrizes os resultados pífios das subsidiárias aqui instaladas, que será tema do artigo que será publicado num futuro próximo no nosso blog.   Tadashi Yamashita Consultor



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